Page 25 - Suape 45 Anos
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naquela época. Juntamente com o engenheiro químico Ro- Moura Cavalcanti, sugeriu a criação do Grupo Executivo de
meu Boto, ele importou a ideia de porto-indústria da cidade Suape, o que foi acatado. O projeto do porto-indústria ganha-
de Antuérpia, na Bélgica, no continente europeu. Além deles, va vida própria.
o grupo de entusiastas contava com Júlio Araújo, Ivan Ro- Cada secretaria cuidava de sua área do ponto de vista
magueira e o almirante Paulo Moreira da Silva. O relatório do operacional. Caberia a Hélcias um outro papel. Ele não queria
almirante, denominado Um novo porto para o Nordeste, foi dirigir gente. Queria dirigir ideias. E, para isso, estava empe-
decisivo para consolidar o projeto. O estudo, encomendado nhado em ir buscar o que havia de melhor e os profissionais
pelo governo Gueiros, foi concluído em 1972 e referendou as mais experientes. Trouxe de volta de Brasília, por exemplo, o
condições ideais para a implantação do empreendimento. geólogo Luiz Siqueira, que já havia presidido a Diper.
Convidado por Eraldo Gueiros para fazer parte da ges- Todo esse movimento, de acordo com Hélcias, não ocor-
tão, Anchieta Hélcias saiu da condição de articulador volun- reu de forma aleatória. Suape teve influência direta na su-
tário de uma ideia para a de realizador. Recebeu a tarefa do cessão de Eraldo Gueiros. O governador não queria correr o
governador de viabilizar o projeto. Dez dias após a posse de risco de ver o porto-indústria perder importância na gestão
Gueiros, ele assumiu a recém-criada Diretoria de Promoção e seguinte. Ou pior: ver o projeto ser engavetado. Levando em
Investimentos da Companhia de Desenvolvimento Industrial conta, portanto, o compromisso dos pretensos candidatos
de Pernambuco (Diper), atual Agência de Desenvolvimento de consolidar o empreendimento, Gueiros indicou ao então
de Pernambuco (Adepe). Posteriormente, Hélcias passou ao presidente da República, Ernesto Geisel, dois nomes. O con-
cargo de presidente. Dali em diante, e pelos oito anos seguin- corrente de Moura Cavalcanti foi Marco Maciel, que teria sido
tes, continuou firme na missão de tirar Suape do papel. preterido porque o presidente o considerou ainda muito jo-
vem para tão importante cargo.
O vice-governador de Moura Cavalcanti, Paulo Gustavo
O fator Suape na sucessão de Gueiros Cunha, também foi escolhido porque tinha Suape na sua linha
No governo seguinte, de José Francisco de Moura Caval- de prioridades. No governo Nilo Coelho, no período de 1967 a
canti, Suape não perdeu o status de prioridade. Pelo contrá- 1971, Paulo ocupou a Secretaria de Indústria e Comércio, per-
rio. Foi tratado como um projeto transversal, envolvendo o manecendo no cargo também na gestão Eraldo Gueiros.
esforço de várias secretarias. Anchieta Hélcias permaneceu - Quando o presidente Geisel ligou confirmando para
na gestão e integrou o time do secretariado, comandando Gueiros o nome de Moura Cavalcanti para governador, eu
a pasta de Indústria e Comércio. Na primeira reunião com estava com ele. Fomos eu e Gilberto Gueiros, filho de Eraldo,
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