Page 158 - Suape 45 Anos
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Dos seus 17,3 mil hectares, o Complexo de Suape destina   ciou a população local com a plantação de frutíferas, estimu-
               59% para a preservação ambiental dentro da chamada Zona   lado pelo antigo Instituto Brasileiro de Desenvolvimento Flo-
               de Preservação Ecológica (ZPEC). Situada nos municípios de   restal (IBDF), órgão que viria depois a se fundir com outros
               Ipojuca e do Cabo de Santo Agostinho, reúne no bioma Mata   para formar o atual Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e
               Atlântica e ecossistemas associados: Mangues e Restingas.   dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama).
               Nela estão abrigadas importantes unidades de conservação,   A partir do momento em que as compensações ambien-
               como a Estação Ecológica de Bita e Utinga, que elevou a pro-  tais passaram a ser instituídas pela Agência Estadual do Meio
               teção ambiental do Parque Natural Estadual de Suape, dos   Ambiente (CPRH), surgiram projetos como os Corredores Flo-
               Parques Estaduais Mata do Zumbi e Mata de Duas Lagoas,   restais, desenvolvidos por Durázio, unindo os remanescentes
               assim como da Área de Proteção Ambiental Estuarina dos   de matas que se encontravam separados por espaços vazios.
               Rios Pirapama e Jaboatão e da Área de Relevante Interesse   - Conseguimos unir os remanescentes que foram isolados
               Ecológico Ipojuca-Merepe.                               pela indústria canavieira por centenas de anos, matas que fi-
                  Durázio aponta a capacidade de Suape de se adaptar sus-  caram separadas. O corredor permite o fluxo gênico entre
               tentavelmente aos avanços e ao tempo. A própria ZPEC, por   plantas que ficaram isoladas, aumentando as áreas florestais
               exemplo, passou por algumas reconfigurações em sua geo-  e evitando a erosão genética.
               metria, mas sem perder tamanho. Entre os grandes marcos    Hoje, Durázio continua no trabalho de conservação dos
               dessa trajetória, está o Decreto n  8.447, de 1983. Foi publica-  ambientes naturais e na consulta técnica aos processos de
                                           o
               do dois anos depois da chegada do biólogo a Suape, apro-  restauração  florestal  das  áreas  da  ZPEC.  Um  projeto  que
               vando as normas do uso do solo, uso dos serviços e preser-  tem como meta ser concluído até 2035. Atualmente, tam-
               vação ecológica do complexo.                            bém vem sendo desenvolvido um estudo pioneiro sobre as
                  Em  seguida,  surgiram  os  projetos  de  reflorestamento   faunas nativa e sinantrópica de Suape. O trabalho consiste
               com frutíferas (manga e caju) associados à regeneração das   em um levantamento sobre os animais presentes na região,
               matas nativas, em um momento no qual não havia nenhuma   assim como as dinâmicas ecológicas que se desdobram a
               obrigação legal de compensação ambiental. Mesmo assim,   partir disso. Em Suape e fora dele, Durázio é símbolo de me-
               Suape teve a iniciativa de começar um projeto que benefi-  mória, história e de um inestimável respeito pela natureza.






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